É comum nessa época do ano eu me encontrar mais contemplativo, deve ser por causa do leve vento frio passando pela pele, que, logo mais, torna-se insuportavelmente frio, e, um pouco antes, era quente demais para fazer apertar os olhos e respirar fundo.
As pessoas tem suas estações como o ano. Algumas variam muito pouco, como se suas cabeças estivessem mais perto do equador, outras, como eu, sentem muito bem as folhas caírem e as flores nascerem.
Às vezes sinto-me desinteressante. Acho que a pior reação que se pode ter sobre algo que se diz é deixar que as palavras se apaguem no silêncio. É como se o que foi dito não encontrasse um contexto correspondente em quem ouviu, como se o interlocutor nunca tivesse pensado naquilo e, ter pensado, naquele momento, não lhe tivesse causado nenhum interesse e nem um mínimo de curiosidade. Ou então o que foi dito era uma coisa tão óbvia para o ouvinte que a única coisa que ele se pergunta é porque aquilo foi colocado naquele momento.
Aí então eu acabo calado e, quando percebo, estou calado a tempo demais.